Notícias científicas sobre a Doença de Huntington. Em linguagem simples. Escrito por cientistas. Para toda a comunidade Huntington.

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2011 - um ano de investigação na doença de Huntington

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Fazendo a retrospectiva de um ano na investigação da doença de Huntington - e do primeiro ano do HDBuzz

Escrito por Dr Ed Wild em 05 de Janeiro de 2012Editado por Dr Jeff Carroll; Traduzido por Filipa JúlioPublicado originalmente a 31 de Dezembro de 2011

2011 foi um ano de grandes acontecimentos e o mundo da doença de Huntington não foi excepção. Desde o lançamento do HDBuzz e crescimento das comunidades Huntington globais, aos progressos fascinantes na ciência básica e à certeza de que tratamentos eficazes estão mais perto do que nunca. A nossa retrospectiva de 2011 olha para trás - e para a frente.

HDBuzz, ano um

Quando carregámos no botão para lançar o HDBuzz, a 17 de Janeiro de 2011, tivemos as nossas dúvidas sobre se iria haver alguém interessado. Mas os comentários de leitores que nos começaram a chegar quase de imediato convenceram-nos de que, de algum modo, subestimámos a fome por notícias fidedignas e compreensíveis acerca da investigação na doença de Huntington. Ler os vossos comentários e encontrar leitores pessoalmente mantém-se a nossa fonte de inspiração e dá-nos força para continuar.

Com um pouco de sorte, 2012 terá um ensaio de um fármaco de silenciamento de genes em doentes de Huntington humanos
Com um pouco de sorte, 2012 terá um ensaio de um fármaco de silenciamento de genes em doentes de Huntington humanos

O HDBuzz continua a crescer. Em 2011, o nosso consórcio de financiadores aumentou de três para doze associações de famílias Huntington. O HDBuzz estabeleceu-se como o principal fornecedor de notícias sobre investigação na DH, fornecendo as notícias que edita a dezanove importantes sites sobre DH. Em Setembro, a abordagem inovadora do HDBuzz à comunicação científica foi tema do editorial da proeminente revista científica “Trends in Molecular Medicine”.

E, graças a uma equipa internacional de 55 tradutores voluntários (obrigado a todos - vocês dominam!), os nossos artigos estão agora disponíveis em dez idiomas diferentes - com mais idiomas brevemente activos. (Para alterarem o idioma, cliquem no símbolo do globo no canto superior direito de qualquer página do HDBuzz.net).

Se estiver a ler isto, está em boa companhia. O HDBuzz recebe agora cerca de 60-70.000 visitas por mês e tem mais de 2.200 seguidores no email, Twitter e Facebook.

E em relação ao futuro? Bem, temos o prazer de anunciar que o sucesso do HDBuzz em 2011 nos convenceu a continuar este projecto indefinidamente. Os nossos três principais financiadores - a “HD Society of America”, a “Huntington Society of Canada” e a “HD Association England & Wales” - comprometeram-se a continuar a financiar-nos durante 2012 e depois. E estejam atentos a novidades excitantes no início de 2012, acerca de apoios adicionais.

O processo de investigação

Um dos nossos objectivos primordiais, com o HDBuzz, é aumentar o conhecimento acerca da forma como os novos fármacos são desenvolvidos e aprovados. Pensamos que ter noção do grande número de tratamentos experimentais que estão “na calha” - desde as fases muito precoces até aos ensaios clínicos com humanos -, é uma das maneiras de enfrentar a frustração muitas vezes sentida pelas pessoas afectadas pela DH em relação à falta de tratamentos eficazes, ou de contrariar a desilusão sentida quando um determinado fármaco falha.

A “Therapeutics Conference” anual da CHDI, em Fevereiro, foi uma grande oportunidade de salientar isto. O HDBuzz trouxe-vos actualizações e entrevistas diárias a partir da conferência. Ficámos impressionados com a diversidade de terapias que estão em diferentes fases de desenvolvimento e, particularmente, com o trabalho dos químicos medicinais - as pessoas que “projectam” substâncias destinadas a um alvo em particular. A conferência também nos recordou que alguns dos cientistas mais inteligentes do mundo estão a trabalhar incansavelmente para combater a DH.

Um ano de ensaios clínicos

Foi um ano misto em termos de notícias acerca de ensaios clínicos na DH. Grandes ensaios de duas substâncias - minocycline e dimebon - que estavam a ser testadas como potenciais tratamentos retardadores da doença foram negativos, e o trabalho de desenvolvimento de ambas as substâncias cessou.

Não será necessário dizer que preferiríamos reportar resultados positivos destes ensaios, mas os que foram obtidos permitem-nos reiterar uma das nossas afirmações favoritas: a ciência é cumulativa - anda sempre para a frente. Estes resultados negativos dos ensaios ajudarão a que concentremos os nossos esforços no desenvolvimento de melhores fármacos, e, entretanto, ajudaram a comunidade a desenvolver as infraestruturas necessárias à implementação eficaz de ensaios clínicos.

2011 foi um ano turbulento para a NeuroSearch e para o desenvolvimento da sua substância destinada aos sintomas motores da doença de Huntington - o Huntexil (também conhecido como ACR16 e pridopidina). Os resultados de dois ensaios clínicos - MermaiHD, na Europa, e HART, nos EUA - demonstraram apenas benefícios ligeiros no controlo do movimento voluntário. No Verão, as agências de saúde europeias e americanas disseram à companhia que necessitava de realizar um ensaio clínico adicional ainda maior (“fase 3”) para que pudessem considerar a aprovação da substância. A NeuroSearch sofreu uma reestruturação no Outono, para concentrar os seus esforços no desenvolvimento do Huntexil - e agora estamos à espera de notícias acerca do ensaio que foi planeado.

Em Fevereiro, entrevistámos o Director Geral de Neurociência da Novartis e ficámos impressionados com o trabalho da equipa de investigação dedicada à doença de Huntington desta companhia. Novembro trouxe a notícia desanimadora de que a Novartis decidiu fechar o seu centro europeu de investigação em neurociências, na Suíça. Novamente, algo que não queríamos ouvir, mas ficamos consolados com o facto de a equipa de investigação na DH da Novartis, em Massachusetts, permanecer activa e com o facto de o envolvimento da Novartis neste campo ter trazido um considerável progresso que nos ajudará a todos nesta cruzada em busca de tratamentos.

Os fármacos estão a chegar

Os elementos das famílias Huntington referem muitas vezes que lhes disseram que os potenciais tratamentos estão a “cinco anos de distância” - há vinte anos que referem isto. A velocidade dos progressos científicos pode ser frustrantemente lenta, mas o Congresso Mundial sobre DH em Melbourne, em Setembro (que vos foi trazido pelos nosso artigos do Oz Buzz!), serviu para nos lembrarmos dos muitos tratamentos que estão já a ser testados ou que estão já prontos para entrar em ensaios clínicos no próximo ano ou daqui a dois anos.

O processo de investigação da DH contém muitos tratamentos potenciais em diferentes etapas de desenvolvimento
O processo de investigação da DH contém muitos tratamentos potenciais em diferentes etapas de desenvolvimento

Perguntem a cem investigadores da DH qual é que eles julgam que é a abordagem por excelência para tratar a DH e, provavelmente, a maioria dirá silenciamento de genes. O silenciamento de genes é, para a doença de Huntington, o que fechar a torneira é para uma banheira a transbordar de água. Os fármacos de silenciamento de genes interceptam a molécula mensageira que diz às células para produzirem a proteína da huntingtina mutada que é prejudicial. A esperança é que, “silenciando” o gene desta forma, se previnam os danos e se permita às células que recuperem.

2011 foi um ano forte para o silenciamento de genes: várias equipas de investigação tiveram sucesso no tratamento de modelos de roedores Huntington - não só conseguindo retardar o declínio, mas obtendo melhoras reais. Em Outubro, reportámos que uma tentativa de desligar o gene mutado, deixando a cópia saudável ilesa, resultou em ratinhos. Agora, nada menos do que três grupos reportaram sucesso em ensaios de segurança com primatas, uma última etapa crucial para o início de ensaios em humanos. Foi iniciada a corrida para a realização destes ensaios. Com sorte, pelo menos um será iniciado antes de recebermos 2013.

Para além do silenciamento de genes, várias substâncias estão incluídas ou quase a ser incluídas em ensaios. O projecto “Paddington”, da União Europeia, está a estudar um fármaco inibidor de sirtuina-1 em vários centros da Europa (sairá brevemente um artigo HDBuzz sobre sirtuinas…). A “Pfizer” e outras companhias estão a trabalhar em inibidores de enzimas da phosphodiesterase, que podem potenciar o funcionamento das sinapses, as conexões entre neurónios. A “Prana Biotech” anunciou recentemente um ensaio de fase 2 da sua substância interagente com cobre, PBT2, na Austrália e nos EUA. E estão a ser planeados vários outros ensaios com DH.

Estes progressos em direcção a tratamentos estão a acontecer tendo como pano de fundo uma comunidade Huntington global que está maior e mais organizada do que nunca. Graças a estudos cruciais como o PREDICT-HD e o TRACK-HD, temos agora uma boa noção de quais as melhores formas de testar fármacos com eficácia.

Grão a grão…

E se estas substâncias não funcionarem ou não forem suficientes para tratar toda a gente eficazmente? Bem, há dezenas de outros tratamentos potenciais em fases mais precoces do processo de investigação, que estão a ser trabalhados por equipas de todo o mundo. Em 2011, descrevemos ensaios com ratinhos bem sucedidos de várias abordagens inovadoras - inibição da KMO, configuração tridimensional de proteínas, melatonina, inibição de dantrolene e HDAC, só para mencionar algumas.

E não faltam investigações excitantes no terminal de ciência básica deste processo. Alguns dos nossos artigos preferidos deste ano incluíram novas descobertas em relação à forma e função das proteínas huntingtina mutada e saudável; provas intrigantes de que a huntingtina mutada pode afectar a função de cabelos microscópicos contorcidos, designados cílios; cada vez mais evidências de que a DH é uma doença de todo o corpo, que afecta as hormonas e a digestão tanto como o cérebro.

Nestes dias invernosos, gostamos de pensar nestas novas descobertas científicas como se fossem flocos de neve a aterrar no topo do glaciar. Um floco sozinho pode não fazer grande diferença, mas combinado com outros e moldado ao longo dos anos, poderá mover montanhas.

Olhar para a frente

Não sabemos o que 2012 nos trará e estamos bem conscientes de que, para cada uma das pessoas afectadas pela doença de Huntington, ou em risco, o relógio não pára de avançar. Felizmente, a ciência também nunca pára e, mesmo que não possamos dizer-vos exactamente quando é que estarão disponíveis tratamentos eficazes para a DH, estamos convencidos que a DH pode ser tratada, e o momento pelo qual todos esperamos está cada dia mais perto.

Como estamos na altura das resoluções para o novo ano, aqui estão as nossas: prometemos continuar a trabalhar arduamente durante 2012 para vos manter actualizados com as notícias mais recentes sobre a investigação na DH.

Gostaríamos de agradecer a vocês, nossos leitores, por tornarem o HDBuzz um sucesso, neste seu primeiro ano. O vosso entusiasmo continua a inspirar-nos e estamos desejosos por vos oferecer mais “esperança confirmada” num 2012 recheado de notícias excitantes e de excelente ciência.

Os autores não têm qualquer conflito de interesses a declarar. Para mais informações sobre a nossa política de divulgação, veja a nossa FAQ...